Para celebrar os 460 anos da cidade que não para, a Secretaria de Cultura do Estado selecionou programas para todos os gostos e idades, para que todos possam curtir a fundo a cidade em seu aniversário. E eu como paulista que ama sua terra, trouxe algumas dicas do que fazer pra vocês. :)

Concertos no Theatro Municipal
Foto: Reprodução
A temporada 2014 no Municipal estreia com o Balé da Cidade na noite do aniversário da Paulicéia. Ainda pode-se comprar ingressos que vão de R$20 a R$60.

MIS - Museu da Imagem e do Som
Foto: Camila Fabrini e Alvaro Razuk
O MIS recebe das 12h às 22h a 5ª edição da Conexão Cultural São Paulo com o tema "São Paulo, Terra da Garoa". O evento reúne intervenções, exposições, arte urbana ao vivo, música e gastronomia. 

Museu da Casa Brasileira
Foto: Roberta Soriano
Agora pela manhã, a partir das 11h, o Museu da Casa Brasileira realizará apresentações acústicas em seu jardim com os grupos Cabaré Três Vinténs, Emblues Beer Band e Mustache e os Apaches.

Theatro São Pedro
Foto: Reprodução
A Jazz Sinfônia, a Banda Sinfônica e a Orquestra do Theatro São Pedro se apresentam com entrada gratuita no Theatro São Pedro, próximo ao metrô Barra Funda.

Biblioteca de São Paulo
Foto: Reprodução
Para fechar a programação, no piso térreo da Biblioteca de São Paulo, das 14h30 as 15h30, acontecerá o programa Intervenção Literária: Cartas e Carteiros em Sampa.

Na minha primeira manhã a bordo do Splendour, o sol me despertou bem cedo: coisa de 6h30, 7h da manhã. Fato é que na noite anterior o cansaço físico e emocional havia sido tanto que eu dormi com a TV da cabine ligada, dois abajures acesos e as cortinas abertas. E esqueci de ligar o ar condicionado! Acordei naturalmente mas, adoraria ter ficado mais tempo na cama, digerindo o que aconteceu no dia anterior. Ao invés disso, estava com fome. Portanto me vesti, conferi na programação quais locais do navio serviriam o café da manhã e me dirigi para um deles: o Park Café, no Solarium do navio, deck 11. No caminho para o café, eu me perdi, óbvio! [risos] E foi das coisas mais legais pois tive que passar pela área da piscina e constatar que o dia estava lindo e que eu era das poucas acordadas até aquele momento. Me apressei no café para poder garantir a escolha do meu lugar ao sol! =P


Achei estranho um café com poucas opções de pão e tal mas, escolhi esse sanduíche de croissant com presunto e queijo. Não tinha manteiga, outra pena. Fui de margarina mesmo. O café é uma história a parte: eles fazem um café tão aguado mas, tão aguado, que mesmo com leite, fica ruim. Mas como eu já tinha pego, bebi. Para acompanhar, uma banana. Pronto, já posso ir pro sol, pensei. 


O dia estava quente, com previsão máxima de 35ºC. Mas entre nuvens, o que significava um céu nublado vez ou outra, ameaçando chuva. Encontrar uma espreguiçadeira bem posicionada foi fácil, visto que a festa da noite passada deve ter ido até altas horas. A piscina ainda estava vazia e algumas pessoas começavam a chegar, quando me ajeitei no meu cantinho com toalha, protetor e moleskine para ir escrevendo. Como não estava no clima do 'get together', escolhi ficar no deck 12, vendo a movimentação do alto mesmo. Às 9h começou um alongamento com a equipe do navio, a beira da piscina. Percebi que o sanduíche de croissant não havia sido suficiente e fiquei radiante quando um dos atendentes do café me disse: você gostaria de um sucrilhos? Temos Corn Flakes! Era muita alegria. Sentei na cadeira e fui comendo meu sucrilhos como se fosse salgadinho. Como se eu ainda fosse criança, na sala da casa de Barretos, sentada no chão vendo TV e comendo Kellogs. Mas, foi nesse momento de felicidade que eu descobri não apenas os cereais: descobri um outro restaurante, com um enorme buffet de café da manhã e... resolvi espiar! Descobri a estação do omelete e uma fonte de sachês de nutella. Aí claro que eu comi mais um pouquinho... #fiquemagramilla =P


Eram pouco mais de 9h quando começou a rolar uma aula de alongamento na beira da piscina. Fiquei meio tentada a participar, meio com preguiça de descer até lá. A preguiça ganhou e eu fiquei deitadinha no sol, só assistindo e alongando mentalmente. =P


O sol começou a ficar realmente forte perto do meio dia e então, mesmo sem muita fome, decidi que era hora de ir almoçar e ficar um pouco fora do alcance dos raios UV. Coloquei uma saída de praia e segui para o Windjamar, o buffet que servia almoço e jantar de uma forma mais informal. Para não ficar estufada, nem morrer de fome depois, caprichei na salada. ;)


Pulei a sobremesa por motivos de: sou fresca para doces e nada me apeteceu na mesa de doces neste primeiro dia de almoços a bordo. A vida é assim. : /
Depois do almoço, dei uma bela volta pelo navio para meio que reconhecer o território. Estava rolando uma partida de bingo em um dos salões, uma venda especial de relógios no shopping a bordo e também uma aula de Ioga na academia. Mas eu decidi que queria ficar de pernas para o ar o dia inteiro. Busquei meu livro na cabine e voltei para o deck 12, onde encontrei uma espreguiçadeira pronta para me acolher pelo período da tarde. 


Posso dizer que o primeiro dia no navio foi o dia oficial do selfie. Porque eu simplesmente tava num mundinho tão meu, que não ia pedir pra ninguém tirar uma foto minha sozinha. (nota mental: discutir isso na terapia, um dia.) Como eu já estava no clima de praia um pouco antes de embarcar, escolhi um biquini básico e que é um dos meus preferidos, preto liso sem muitos adereços. Comprei há uns dois anos, numa feirinha lá do Guarujá. E é ótimo! Compraria vários outros por lá considerando preço e qualidade! ;) Pra proteger do sol, escolhi esse óculos que ganhei da Go Eyewear de Natal. Ele tem aro dourado, lente grossa e super combinava com quase todos meus looks de piscina/passeio. Foi um companheirão na viagem. E não podia faltar chapéu, pra proteger o coco, como diria minha mãe. Esse eu comprei na Feirinha da Enseada, também lá no Guarujá. :)
Já no fim da tarde, eu comecei a entrar no clima de festa. Ou melhor, me obriguei a entrar. Naquela noite teríamos o jantar oferecido pelo nosso capitão e eu já estava me deixando levar pela melancolia de estar ali na minha viagem dos sonhos sozinha quando decidi que era hora de tomar um drink. Fui até o bar e pesquisei o drink do dia: Brazilian Sun. Feito com vodka, suco de laranja, groselha e cereja, foi essa a minha pedida. O bom é que a cada dia, um drink ganhava o posto de 'drink do dia' e um precinho mais camarada. Fora que você ganhava o copo. Achei a brincadeira divertida! ;)


Acabei meu drink por volta das 18h, quando o sol ainda tinha ares de 3 da tarde. Fui então direto para a cabine descansar e me arrumar com toda a calma para a recepção do Capitão. O vestido que eu levei foi um bem antigo. Comprei (pasmem!) para usar na festa de quinze anos da minha melhor amiga. E serve até hoje! <3 Como isso já faz um certo tempo, não me lembro onde foi a compra mas, com certeza foi no bairro da Lapa, em São Paulo, onde eu morava na época. Para combinar com ele, um cabelo preso em rabo de cavalo, brincos e scarpin. 

Vestido, Acervo; Bolsa e Scarpin, Isabella Giobbi para C&A; Brinco e Anéis, Vivara
Capitão IV Vidos

A festa do capitão teve direito a champagne, moças descendo em um lustre, bolero e muita, muita magia. Fiquei tão maravilhada que gravei algumas cenas mas, mais do que isso, deixei celular e câmera de lado e aceitei convites para dançar. Por isso, não tenho muitos registros da festa em si mas, em breve eu mostro o vídeo com todos os momentos que pude registrar, lá no canal do YouTube! Prometo! ;)


O sol se pôs por volta das 21h e foi quando eu gravei um videozinho dando oi pra vocês. Quem segue o blog no YouTube e no Facebook já viu mas, dá só uma espiada! ;)


Depois da recepção do capitão, me dirigi ao "The King and I", para o jantar. A inspiração do chef havia sido o açafrão e eu confesso que tive bastante dificuldade para decidir minha entrada. Por fim, escolhi um Consommé Duplo de Frango. Péssima escolha. O consommé é o caldo do caldo do caldo do frango. Que veio acompanhado de dois gnochettis de ricota com espinafre. Comi só os gnochettis e larguei de lado. Para o prato principal, pedi Pato Assado. E tenho que confessar que tudo que minha entrada teve de ruim, o pato compensou. Estava muitíssimo bom! <3 De sobremesa, para quebrar um pouco o paladar, escolhi uma mousse de limão. Delícia! 


Encerrado o jantar, minha crise de ansiedade chegou. No dia seguinte estaríamos em Punta. Será que Edu embarcaria? O que ele fez? Será que desistiu da viagem? Será que conseguiu passagem? Será que veio? Adormeci cheia de "serás" ecoando na minha mente. 

[ Continua... ;) ]
Estou numa soneira desde que voltei de viagem que ainda não consigo definir. Tamanho o estrago que, ontem me deitei pós-jantar para descansar as pernas por uns instantes e morri. Acordei hoje, assustada. Perdi a premiação, perdi a despedida de uma amiga (Flavinha, boa viagem mais uma vez e desculpe de novo a ausência ontem!).. contra o cansaço não se luta. E eu acho que eu tava/tô com muuuuito cansaço acumulado. (...) Pois bem! Dando uma olhada no que rolou na noite passada no tapete vermelho, escolhi alguns modelitos pra comentar por aqui. Vamos lá? :)


O vestido da Katrina (Badgley Mischka) me deixou querendo já um exemplar para chamar de meu. Simples, sofisticado e de caimento perfeito. Não consigo expressar a paixão que senti! Já Claire (Vionnet) entrou com um lado romântico-charmoso-elegante que creio que poucas ali segurariam. Julie Bowen arrasou num tema mais moderninho, fugindo do óbvio e apostando num modelito (Carolina Herrera) de tema assimétrico e tricolor. E o que dizer da espetacular Julia Roberts? Gente, ela não envelhece? Arrasou demais nesse modelo (Valentino) rosa!


Meryl não vai perder a classe jamais. Disso eu tenho certeza. Ela sabe ousar, sabe ser clássica, sabe manter a simplicidade mesmo em meio ao glamour das várias premiações que comparece. Para o SAG 2014, escolheu esse pretinho básico (Stella McCartney) que é simples e classudo. Amei o decote nos ombros. Amei a combinação com o óculos de armação mais grossa e peep-toes. Ameeeei! Sandra, eu te gosto tanto! Porque não consigo gostar desse seu look? Algo me incomodou muito. Não consigo olhar e gostar. Esse modelo (Lanvin) me dá a impressão de que embrulharam a pobre atriz em papel laminado, deram um laço e disseram "desfila aí, querida!". A princesinha Jennifer sofreu tanto bullying por conta de seu look do Golden Globes, que desta vez resolveu sambar na cara de todas mostrando como é poderosa e versártil: escolheu um modelo clássico (Dior) todo trabalhado no brilho e ressaltando suas curvas. Amei! Li algumas críticas negativas ao modelo (Badgley Mischka) de Ariel Winter esta manhã no Facebook. Sinceramente não entendi os comentários. A moça me agradou muito na escolha, tanto de modelo quanto de cor e caimento. Ficou jovial e sexy! ;)


Sarah veio com ar angelical concedido pelos modelos clássicos e claros. O ajuste de babados vindo do busto deu um caimento super fofo e deu charme para o modelo (Pamella Roland). Os sapatos, lindos, são Jimmy Choo. Anna resolveu optar por um modelo (Monique Lhuillier) sem muita ousadia. Reto, com uma pequena abertura nos pés que nem chega a ser uma cauda, com brilho para dar um toque noturno e festivo. Achei ok mas, não entraria na minha lista de favoritos pela falta de um quê a mais na composição completa. 
A fenda do modelo (J. Mendel) escolhido por Michelle Dockery foi o que salvou o modelo da chatice. Eu adoro um P&B clássico mas se olharmos apenas para a parte superior do vestido, a graça fica quase que inexistente apesar do decote profundo. Sei lá, gosto meu gente! Já a escolha de Laura Carmichael eu adotaria facilmente no meu closet (#alôca): modelo (Vionnet) leve, brilhoso, com ar de princesa mas com um toque sexy conferido pela fenda lateral. Os acessórios serviram para complementar um look maravilhoso. Clap, clap, clap!


Pensei bastante sobre o modelo (David Meister) de Sophie. Gosto, mas não gosto. Acho que não ficou tão incrível nela. Não ressaltou sua beleza. Deve ser isso. Julia foi clássica (Monique Lhuillier): nada de mais e nem de menos. Amy exagerou na dose, em minha humilde opinião. A cor é forte, o modelo (Antonio Berardi), fendado e decotado. O salto, super alto. O batom? Super vermelho. Tudo muito super. Me incomodou um pouco. Parece overdose de informação, sabe? Agora, se vamos falar de clássico que salva, Jennifer Garner foi exemplo de simplicidade elegante: tomara-que-caia (Max Mara) marcado na cintura e com uma cauda leve. Modelou e arrasou!

- Sentiram falta de alguém? Deixa aqui nos comentários! ;)
O domingo que embarcaríamos mal havia amanhecido e eu já estava de pé. Não há despertador melhor que a ansiedade. Pelo menos a minha. [risos] O calor já se fazia presente, chegou antes do sol e deixou o quarto abafado. Então, com cuidado para não fazer barulho, abri a porta da varanda do quarto e senti a brisa do romper da aurora me tocar o rosto. Fiquei ali por alguns instantes me refrescando com aquela brisa suave, antes de me dirigir ao banheiro. Já de rosto lavado e dentes escovados, comecei a pensar no que faltava fechar nas malas para podermos partir. Como eram apenas coisas de uso pessoal como escova de dentes, shampoo e afins, fiquei mais tranquila e me deitei um pouco na rede. Consegui dormir por mais duas horas, despertando as 7 da manhã, com o sol já queimando meu rosto. Decidi que não dormiria mais e fui cuidar de tomar café, um bom banho e escolher a roupa do embarque. O calor estava tamanho que optei por bermudinha (com bolsos) e regata. Nos pés, um bom chinelo. Total conforto afinal, depois do check-in quem sabe não rolava um pulo na piscina para estreiar bem a viagem? Era o que eu imaginava....
Saímos da casa dos pais de Edu por volta das 11h30 da manhã, após montar o quebra-cabeça das malas no porta-malas do carro. Ao nos aproximarmos do Porto de Santos, por volta do 12h o primeiro contratempo: um trânsito de deixar São Paulo no chinelo. Ok, respira fundo e vai. Conseguimos sair do carro na área de desembarque às 12h45 e já logo despachamos a maioria das malas. Felizes e mais leves fomos procurar nosso local de check-in, já que naquele domingo 4 navios diferentes (Empress, MSC Magnífica, Costa Fascinosa e o meu, o Splendour of the Seas) estavam saindo do porto e o terminal de passageiros estava super lotado. Demos umas 4 voltas no terminal de passageiros antes de encontrarmos a fila correta. Fila quilométrica, eu diria. Um suspiro de choque ao imaginar quanto tempo demoraria o check-in, outro de felicidade pois por mais que demorasse, iríamos dali a algumas horas estar felizes e contentes dentro do navio. Primeiro incômodo: a alça da minha frasqueira arrebentou com poucos minutos de fila. E dali por diante foi horrível carregá-la. 

Sorria! Você está embarcando! - eu pensei. 


Foram mais de três horas de fila em que preenchemos o formulário de embarque e Edu também preencheu um documento para poder embarcar sem o passaporte (com o RG apenas). Optamos por não vincular nossos cartões de crédito à cabine, assim poderíamos ter um pouco mais de controle dos nossos gastos extras a bordo. Isso pode ser feito informando no ato do check-in seu desejo de pagar sua conta em dinheiro. Você pode pagar em reais (o câmbio é feito na hora), dividir no cartão de crédito ou até pagar direto em dólar. Compensa pra quem gosta de controlar mais de perto as contas para não fazer dívidas desnecessárias. ; )
Chegamos ao balcão de check-in por volta de 16h30 e foi nesse momento que eu quase infartei. Edu estava sendo impedido de embarcar devido à documentação errada. 

IMPORTANTE
Para qualquer tipo de viagem internacional, mesmo que para países do Mercosul, você só pode ir de navio se estiver portando o seu RG original (emitido pela Polícia Federal) ou seu Passaporte. Qualquer outro documento de identificação válido em território nacional como xerox autenticada de RG, RG com mais de 10 anos, habilitação de motorista ou carteira profissional (CREA, OAB, MTB e afins) não é aceito para o embarque. 
Lágrimas, tristeza e desespero. A cabeça dava voltas. Sim, eu surtei internamente. Fiquei quieta na minha enquanto Edu conversava com os supervisores do Concais e confesso que o surto foi tanto que até deixei de ouvir em determinado momento. Fui trazida a realidade quando a supervisora de embarque disse: 

- O senhor não embarca em Santos de jeito nenhum. Aconselho que busque seu passaporte e/ou regularize seu RG e pegue um voo até o próximo porto para encontrá-la. Caso ela (eu!) não embarque, os dois perdem a viagem e o valor investido pois nada mais podemos fazer.

Ok, decidimos que eu embarcaria e que ele daria algum jeito de estar no Porto de Punta del Leste na terça-feira. Foi um balde d'água fria que eu não conseguia assimilar. Ainda estava em choque. Me lembro de olhar profundamente nos olhos de Edu para ver se ele realmente ia me encontrar ou se estava só querendo que eu embarcasse para que eu não perdesse a viagem como ele havia perdido. Recebi meu cartão de embarque e me despedi dele sem ter certeza se nos encontraríamos mesmo dali dois dias. 
Fui a última passageira a embarcar, por volta de 17h15. Fui direto até a minha cabine para conferir se estava tudo ok com nossas malas já que no stress do check-in a mulher havia mandado devolver e não devolver as malas ao porto umas 4 vezes. Deu erro no meu cartão e eu não consegui entrar. 

Êta domingo maravilhoso! - pensei. E me dirigi imediatamente ao balcão de serviços aos hóspedes. 

Ao finalmente conseguir entrar na cabine fiquei aliviada em ver nossas malas por lá e fui recebida por nossa camareira, Giovanna, com muita fofura. Lavei o rosto, arrumei algumas coisas na cabine e subi para ver o navio partir. Um nó na garganta me acompanhava a cada deck que eu subia e ele finalmente tomou conta de quase todo meu corpo ao chegar no convés. O navio já estava partindo, passando pela cidade de Santos e com muita música e festa para os passageiros. Encontrei uma brecha na frente do navio e fiquei observando. Quando não consegui mais ver terra por nenhum lado, achei que era hora de um drink. 


No bar do Centrum, no deck 4, uma bandinha animava o fim de tarde com jazz. Achei propício ao meu humor, pedi um Champagne Cosmo e sentei pra conferir um pouco do show e ver se os pensamentos atordoados das últimas horas me deixavam um pouco. 


Após alguns cosmos e uma consulta ao relógio, achei que já era mais do que hora de ir para a cabine tomar um banho e me arrumar para o jantar. O navio balançava consideravelmente e eu até achei que estivesse enjoando (ou embriagando). Portanto, me recolhi.

Vertigem, a gente vê por aqui. 

Cheguei no quarto por volta de 19h30 e resolvi desfazer as malas antes de me arrumar. Feito isso, mesmo após um banho relaxante com direito a luz baixa e música calminha, eu não estava tranquila. Ou seja, não tava no mood de uma super produção pra jantar. Chequei o planejamento diário e fiquei feliz ao ver que o tema da noite era informal. Escolhi uma bermudinha preta e uma blusa preta um pouquinho brilhosa. Sapatilha baixinha pra aguentar o vai e vem do navio (como balança esse mar do sul!) e tiara nos cabelos para não me preocupar com eles. Lá vamos nós, dia de jantar sozinha. Pensei. 


Antes do jantar, a programação do dia contemplava um show de aéreo no Teatro 42th Street, localizado no Deck 4. Já pronta para a noite e com mais um cosmo em mãos, lá fui eu.


O show foi lindo mas, o teatro é localizado em uma das pontas do navio o que garantiu um balanço natural aos assentos. Eu que já estava num mal-estar danado, vi só um pedaço e me retirei antes que algo de mais grave ocorresse. Uma pena, pensei. Mas eu nunca tinha enjoado em alto mar antes e queria manter esse histórico intacto. Portanto, out of the theater!
No SeaPass (cartão que nos acompanha durante toda a viagem, serve para compras, entrar e sair do navio e também é chave da cabine) a gente recebe a informação do horário do jantar, o restaurante e também o número da mesa. No caso, o restaurante que jantaríamos era o "The King and I", localizado nos decks 4 e 5. Eu que sou amante dos musicais, derramei uma lágrima de emoção ao ver um restaurante todo decorado com o tema do filme. Ao encontrar minha mesa, me surpreendi. Era enorme, para 10 pessoas. E eu era a primeira a chegar. Fui recebida pelo nosso garçon, o Luccheo, um indiano muito simpático e gentil. E também pela Jenifer, a assistente dele, que era brasileira e iria nos ajudar com as bebidas. Juntaram-se então a mim, uma família muito simpática de coreanos e um casal de brasileiros. Fomos avisados que cada jantar teria uma inspiração para o chef, e que ela seria descrita no nosso menú de cada dia. A do domingo, era a Pimenta.


Ao receber o pãozinho da entrada, eu me descobri: não era enjoo, muito menos embriaguez. Era fome! Foi então que percebi que, eram mais 22h e eu só havia comido aquele café da manhã, ainda na casa dos pais de Edu, bem cedo! Nunca um pãozinho com manteiga me fez tanto bem. Devorei! Escolhi para entrada uma Salada Ceasar, básica. E para o prato principal uma deliciosa Lasagna ao Forno. Confort food para uma pobre menina exausta e faminta. Pois era como eu me sentia, agora que aquele pãozinho me havia aberto o apetite. Para beber, uma taça de vinho, francês (óóóóbvio pois era o mínimo que eu merecia pra ficar um pouco mais feliz, risos): Réserve St. Martin, Languedoc. Para sobremesa, algo que eles chamaram de Sensação de Chocolate. E que eu escolhi simplesmente por ter chocolate. 

- Na verdade, eu queria um pote de brigadeiro pra comer de colher. Como não tem, vai o que tiver mais chocolate do menú. - pensei. 


Confesso que até por conta do meu estado de espírito, o jantar foi silencioso. Conversei um pouco com as famílias mas, ficou ainda aquele joguinho de ilha de cada um na sua. Mas posso dizer que meu jantar, no quesito comida, foi maravilhoso. Certamente eu repetiria, se pudesse. Saí e fui logo dar uma volta no convés, ver como estava a noite. Já eram mais de meia-noite e ventava muito mas, mesmo assim, o tempo estava fresco e gostoso para uma caminhada. Andei com meus pensamentos por uns minutos até o sono chegar. Então resolvi que era hora de dormir. No caminho para a cabine, vi que rolava uma festa dos anos 80, no Centrum, aquele do jazz de mais cedo. Todas as músicas que eu amava estavam tocando e o povo dançava animado junto com a banda. Mas o sono já havia me fisgado. Acompanhei uma música do alto, e finalmente, fui dormir.

Fotos: Mademoiselle Paris

[ Continua... ;) ]