Vocação, amor e... perseverança

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Hoje, dia 19 de agosto, é dia do artista de teatro. Uma amiga postou mais cedo centenas de frases que nos dirigem sempre que dizemos ser atores, no Facebook. Li, refleti e me peguei pasma com a quantidade de vezes que me abalei por elas. Pensei em quantas vezes fui julgada na escolha da profissão, na aceitação de que era esse o amor pra toda vida, que era isso que me fazia sentir plena na dor e no amor de estar ali, no palco. De pertencer tão absolutamente àquele chão sagrado. De fazer sagrado qualquer que fosse o chão que eu pisasse afim de contar uma história para alguém. De quanto o “quero entreter e fazer pessoas felizes” era visto como hobby e não vocação. Pensei também em quantas vezes fui julgada por ter dado um tempo na carreira para me ajeitar na vida, depois da morte de meu pai. Pensei em quanto a gente deixa as pessoas meterem o dedo na nossa cara durante a vida, dizendo o que (para eles) é o correto a se fazer.


Acho que a ficha da maturidade caiu quando percebi que comecei a não me importar mais tanto com isso. Estou fora dos palcos há 3 dolorosos anos. E não houve um dia nesse período em que não exercitasse meu corpo de algum modo para me manter a postos, pronta para qualquer regresso repentino. Não houve um só dia em que o coração não sangrasse de saudade. Não foram poucas as vezes que tentei voltar mas, ainda não deu. Por motivos que ninguém de fora compreenderia, não consegui voltar aos estudos da arte que move cada minuto da minha vida. Mas, hoje eu entendi: estar fora dos palcos não significa que deixei de ser atriz. O teatro está em mim como o sangue que corre quente nas veias. Eu respiro teatro, eu uso técnicas dele no meu dia a dia. Eu projeto sim a minha voz, principalmente em reuniões. Eu crio histórias (milhões delas) na minha cabeça, como se ainda estivesse dentro das aulas de dramaturgia. Eu me faço presente, me posiciono e tenho muito mais noção de espaço. Isso não me faz melhor do que ninguém, não é disso que eu to falando. Tô falando de ser diferente. De respirar uma coisa, mesmo longe dela. De não esquecer. Vivenciar. Continuar estudando, mesmo que sozinha. Porque uma coisa sobre mim, o teatro me mostrou e assumi há muitos anos: sou um poço de esperança. Ainda não deu pra voltar, mas uma hora a vida se encarrega de acertar os caminhos. O que mais importa é manter a fé, manter a paixão e estar pronto. E enquanto isso, e eu? Eu estarei aqui, pronta para isso, com tônus em cada célula do corpo ansiando e desejando por isso. Estarei aqui. Fazendo arte. Estarei aqui. De peito aberto. Porque os de corpo "fechado" sofrem menos mas também tendem a viver menos. E eu? Estarei aqui. Vivendo cada segundo. vendo em cada curva, uma nova esperança. Dançando a dança da vida a cada acorde, aprendendo a levar e ser levada pela melodia que ora é calmaria, ora é tensão. 

Estarei aqui. Grata aos Deuses pela clareza de saber que a espera não é o fim do mundo. É uma oportunidade de amadurecimento. De crescimento pessoal. De preparação do espírito para algo muitíssimo bom que o futuro, aquele logo ali na curva do horizonte, me reserva.

- Feliz dia do Artista de Teatro. <3


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