Aquele em que brindamos às amizades!

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Eu nunca me peguei tentando ser amiga delas. Elas foram caindo na minha vida, naquela semana de novembro, meio que ao acaso. De repente, uma delas passava na minha casa e íamos encontrar a outra para seguirmos juntas para a noite. Ahhhhh a noite. Naquele tempo, ela realmente era uma criança. Cheia de pique, cheia de cores, cheia de magia por todos os lados. Não precisávamos de muito para ser feliz. E de um jeito engraçado, até os nossos defeitos não nos incomodavam quando estávamos juntas. A energia boa era maior. É assim que dizem que nasce um grande amor né? 
Naquele mês de novembro, sem nem eu imaginar, eu tinha ganhado dois deles. Um deles, loiro. Meio maluquete. 100% emoção. O outro, de cafezinhos enrolados, olhar doce e risada deliciosa. Um pouco mais tarde, numa noite cantarolante de quinta-feira, chegou mais um presente. De all-star, bolsa transversal, espírito de Peter Pan e copito na mão. É. Nisso, todas combinávamos. Combinamos. No espírito de Peter e no copo também, não vou negar. Ela, essa terceira "serumaninha", chegou meio assim, de fininho. E mais uma vez não percebi de pronto o presente que a vida colocava na minha mão. 
Naquela época, acho que isso já faz pouco mais de 10 anos, eu tinha uma carência de amigos profunda. Não conseguia me sentir incluída em nenhum grupo. Ia pulando de um para outro, como quem procura um sapato que fique confortável nos pés. Tantas vezes escolhi o errado, tantas vezes me doei para o errado. E elas? Sempre ali. 
Tempos difíceis vieram, elas estavam ali. Tempos alegres voltaram, elas continuavam ali. Até que, como haviam me dito os adultos, os nossos caminhos de juventude transviada se desencontraram. Uma estava namorando sério, não saía mais com tanta frequência. A outra, estava se dedicando ao trabalho. Eu estava dura. E uma de nós, seguia na vida bandida, pode-se assim dizer. Achei que seria mais um adeus, como tantos que eu já havia vivido até então dos ditos, amigos de temporada. 

*Faço aqui uma pausa para dizer que amigos de temporada podem ser maravilhosos e nos ensinar demais em curtos espaços de tempo. Esse foi só um nome que escolhi para diferenciar os grupos. ;)

Veio então, o casamento de uma. E nós estávamos lá. Depois, a gravidez. E nós estávamos lá. Depois o noivado da outra. Nós estávamos lá (mesmo as que não puderam ir presencialmente). Depois houve o falecimento do meu pai e, para minha grata surpresa, elas estavam lá. 
Estivemos lá uma para outra de corpo, espírito e pensamento, desde o dia que nos conhecemos. Não teve nada do tipo: ei, vamos ser amigas. Simplesmente, aconteceu. A gente escolheu ficar. Ficar do lado nos momentos que viessem, fossem eles bons, normais ou não tão bons assim. 
Elas entendem cada virtude e cada defeito meu. E isso é recíproco entre todas, na real. Não precisamos falar, tem hora que a outra já saca o que está acontecendo. Somos tão diferentes e a vida, nos colocou lado a lado, para sermos amigas. Amigas de vida, de alma. Daquelas que se pode contar. Daquelas que dinheiro nenhum no mundo paga. Daquelas que nem a vida, consegue separar. Porque mesmo ausentes, se fazem presentes. Porque já são parte daquilo que somos. Já são essência. 

Pode ser que eu não faça mais nenhum amigo nessa vida. Pode ser que sim. Mas elas - esses 3 maravilhosos presentes que a vida me deu - são e tenho que certeza que sempre serão, a família que um dia escolhi para mim. E vou brindar à elas até meu último suspiro. Vou agradecer por tê-las na minha vida, todos os dias enquanto eu viver. E depois também, quando chegar do outro lado, eu quero agradecer ao anjo que as colocou no meu caminho, se possível, pessoalmente. Elas são tão parte de mim que nem sei. Somos família. E família, é tudo nessa vida. ;)


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