Eu cheguei do teatro naquela noite de terça-feira e seguia reflexiva, curtindo o eco do silêncio. Ainda pensava nos vários temas que a peça que havia assistido abordou. E a cabeça também viajava por temas relacionados como o texto que havia lido em alguma rede social naquele dia mais cedo, afirmando que o teatro estava morrendo.

Quantas vezes anunciaram a morte de algum meio de comunicação ou de expressão?

Há espaço para todos, escolha o que melhor te agrada e pare de tentar decretar a morte do que agrada aos outros. Aliás, se aplicássemos essa regra em todos os âmbitos da vida, talvez houvesse mais paz. Me peguei pensando... mas somos humanos, no fim das contas. Então, há que se conviver.

E antes que você, leitor, pense: nossa, ela ela deve estar de TPM...

Não. Era apenas mais um daqueles momentos em que tem tanto dentro, que uma peça se tornava o gatilho perfeito pra esse muito vir pra fora. Mas podia também ter sido uma música, uma cena cotidiana, uma conversa com alguém.

Mas, no caso, foi uma peça. Sim, a peça. Vamos à ela:


Eigengrau, No Escuro. Direção de Nelson Baskerville. 
Indicado ao Prêmio Shell de Melhor Direção no ano passado (2017). 

O texto retrata com humor e certa ironia, as angústias da geração que está na faixa dos 30 (prazer, sou dessa geração!). Tudo a partir do relacionamento existente entre quatro personagens. 
A peça aborda quão efêmeras estão as relações do nosso cotidiano, em uma sociedade ainda machista, individualista e hiper competitiva. 

Eigengrau é uma obra que lança questionamentos com a mesma urgência de seus diálogos rápidos e cortantes. Gritantes. 

A palavra que dá nome ao espetáculo, Eigengrau, se refere à cor vista pelos olhos na completa escuridão. Metaforicamente é nesse espaço que parece não ter luz ou saída que se encontram os personagens: Carol, Marcos, Rosa e Tomás. Todos na tentativa de entender seus afetos, paixões e posicionamento diante da vida. 

Vale lembrar que se trata de uma comédia dramática, ou seja: você vai rir mas, vai se compadecer das dores e angústias deles. Vai sair repensando um tanto de coisa e quem sabe fale sobre isso com alguém. Como eu estou fazendo com você leitor. 

A peça fica em cartaz até 29/03 então espero que você corra e garanta seu ingresso já! E venha me contar depois o que achou, pra gente refletir junto. :) 

Serviço
Eigengrau, no Escuro
Teatro Porto Seguro - Alameda Barão de Piracicaba, 740 | Campos Elísios
Quartas e quintas, às 21h
Ingressos de R$40 a R$50
Classificação 16 anos
Era noite de terça-feira e eu havia encerrado o expediente às 22h30. Relativamente cedo para quem usualmente segue trabalhando até 3am de domingo à quinta. Então decidi gastar aquele tempo comigo. Tomei um banho demorado, lavei e hidratei os cabelos (mesmo sabendo que no dia seguinte iria para a academia - o dia seguinte era o dia seguinte e naquele momento eu queria fios cheirosos e limpinhos), hidratei o corpo todo com um creme perfumado, coloquei um pijama fresquinho e fui para a cozinha ver algo para comer. Decidi tomar um café com leite e pão enquanto buscava algo para assistir. Estava órfã de séries e todas que eu havia salvo pra ver na sequência eram do tipo que me dariam pesadelos se começasse naquele minuto. Segue cavando em minha lista de filmes e séries em busca de algo leve, fofo, que me fizesse sorrir e rendesse sono e sonhos bons. 

Até que cheguei em "Love Per Square Foot".


A frase que resume o título me deixou curiosa e calma - seria algo bem como o que eu estava procurando para aquela noite. Me acomodei na cama, dei play. 


Para começo de conversa, Amor por Metro Quadrado é uma produção da Netflix India e, considerando essa informação não é de estranhar o único idioma em que o filme é disponibilizado: hindu. Legendado sim, para várias línguas, sim também, mas, confesso que o máximo que já me aventurei em línguas que não domino foram ver filmes em alemão - e doeu, lembro disso. É necessário treinar o cérebro para entender que ele deve focar na legenda apenas, uma vez que você não tem nenhum conhecimento daquele idioma. Tive 5 minutos de hesitação... 

Fato é que comecei a assistir e lembrei que eu acho música indiana uma graça. Logo de cara, já comecei a sorrir - ponto para o filme. 

O personagem principal, Sanjay Chatuverdi, é um indiano pobre que luta para sobreviver e sair da casa dos pais. Seu maior sonho é o sonho da casa própria. Um sonho em uma Mumbai lotada de pessoas, com o mesmo sonho. E pouco dinheiro. Não sei porque mas, me soou familiar. 
Duas personagens femininas contracenam fortemente com ele durante o filme: Rashi e Karina. 

Pronto, triângulo amoroso estava armado. Mas qual o desafio deles?

Sanjay e Karina compartilham do mesmo sonho. Mas Sanjay está preso em um relacionamento abusivo com Rashi que é também sua chefe. Juntos, Sanjay e Karina vão tentar realizar o sonho da casa própria e acabam se envolvendo no processo. 

Com um plus de famílias indianas hiper dramáticas e uma mãe canadense maluca, eu mais do que recomendo esse filme para você, leitor, que está em busca de algo divertido e leve como eu estava. 
O título é bem novo, estreou mundialmente em fevereiro deste ano, 2018. 

Fiquei com vontade de ver outros filmes em hindu - será que me aventuro?

Um beijo, e boa quinta para nós, leitor. :)

São 2am de sábado e acabei de encerrar minha maratona de The PARADISE. Eu queria continuar com séries de épocas mais distantes e fiz uma votação no insta-stories para que vocês, meus queridos leitores, me ajudassem a decidir o que assistir. 

Bem, vocês votaram em The PARADISE e eu não poderia ter ficado mais contente. 

A série é uma adaptação da obra Ladie's Paradise de Émile Zola que retrata uma situação passada na França. A produção da BBC1 traz a trama para a Inglaterra dos anos 1890.

Na história, Denise é uma jovem que vai à Londres em busca de melhores condições de vida após a morte de seu pai e lá consegue um emprego na loja de departamentos The Paradise - propriedade de John Moray. Qualquer semelhança com Mr. Selfridge com certeza não é mera coincidência. E eu amei isso, uma vez que vidrei em Mr. Selfridges. 

A história de amor de Moray com Denise Lovett é linda mas, as mensagens de lealdade, feminismo e ética de trabalho presentes no enredo são o tempero que eu mais saboreei. E achei delicioso o modo como foram colocados - claros como a luz do sol, delicados como a seda. 

Se eu pudesse dizer qualquer coisa para vocês leitores, no alto de meu cansaço pós-maratona, seria: aproveite o resto de fim de semana para maratonar The Paradise. A série foi cancelada e não haverá uma terceira temporada mas, as 2 primeiras (16 episódios) estão disponíveis e não deixam fios soltos - você não vai se frustrar. Apenas uma notícia ruim: ela só estará disponível na Netflix até o próximo dia 15/03. 

Não perca a chance de conferir, se puder. E boa noite, leitor. 

Bom Netflix pra nós ;)
Desde que fiquei solteira confesso que tenho curtido muito mais (e demais) a minha própria companhia. E aumentei consideravelmente meu consumo do Netflix - como já era de se esperar.
Fato é que nesse Dia das Mulheres me peguei pensando sobre a quantidade incrível de conteúdo com mulheres fortes e inspiradoras que já encontrei na plataforma e resolvi usar esse post para listar algumas delas. E se você tiver alguma para indicar, leitor, vou ficar muito feliz em conferir. Basta deixar aqui nos comentários! ;)


  • Reign


É uma série de ficção histórica sobre a vida de Mary Stuart, Rainha da Escócia - e todo seu trajeto desde seu noivado com Príncipe Francis até o poder. Para quem curte ver séries baseadas em fatos históricos, Reign é muito divertido. Outras mulheres que valem muito a pena na série: Elizabeth da Inglaterra e Catherine de Médice, da França.


  • One Day at a Time


Comecei meio aleatoriamente a conferir a história de Penélope e sua família. Fiquei tão viciada que terminei todas as duas temporadas disponíveis em um fim de semana. E virou meu novo "Friends" para noites em que quero ver algo leve, divertido e querido para dormir.
A série lembra um pouco Sai de Baixo até - pelo formato. Super divertida, ela conta a história da Penélope que é uma militar divorciada, criando os filhos nos EUA com a ajuda da mãe - a cubana e hiper nacionalista Lydia. Essa vale a pena não somente pelos personagens de Penélope e Lydia como também pelo personagem de Elena, sua filha mais velha que dá vários recados importantíssimos em meio à trama. LINDA!


  • The Good Place


Eleanor Shellstrop é tudo que não serve de exemplo para um ser humano no início da série mas, sua evolução é tão fantástica que tenho que tirar o chapéu e dizer que apaixonei na personagem - ela vence o tiozão mais de 800 vezes e eu não estou exagerando! Rá!
Super divertida, a trama mostra como seria "O Bom Lugar" para pessoas que passaram dessa para melhor. Mas o "bom lugar" não permite palavrões e nem bebedeiras e nossa protagonista logo percebe que houve um engano em sua ida para lá - o que causa uma série de fatos hiper engraçados. Super leve e divertida, estou doida pra que a terceira temporada venha logo para o Brasil.


  • When Calls The Heart



A história se passa no início do século 20, quando uma moça de boa família - Elizabeth Thatcher - resolve se mudar para uma cidadezinha fronteiriça para lecionar. Além dela, outras várias personagens femininas inspiram demais, como por exemplo Abigail Staton e também uma advogada que aparece em alguns episódios. Inspirador, emocionante e bem água com açúcar, é perfeita para relaxar, suspirar e se inspirar ;)


  • Riverdale


Se você acha estranho ver Riverdale aqui nessa lista, experimente ver o episódio em que a turma resolve de maneira super brilhante um caso de abuso contra mulher. Outro ponto maravilhoso: as duas personagens de Betty Cooper e Veronica Lodge constroem uma relação de amizade e respeito, mesmo gostando do mesmo carinha no início. Logo de cara, não semeiam o ódio mútuo por conta dele - se unem. Coisa mais linda! <3



  • Crazy Ex-Girlfriend


E por falar em amizade entre mulheres, uma das coisas que mais me deixou feliz foi a reação da Rebeca de Crazy Ex-Girlfriend, quando sua colega de trabalho diz que ela deveria odiar a atua; namorada do cara que ela está apaixonada e ela diz: porque eu deveria? Eu quero o lugar dela mas isso não tem nada a ver com ela. Eu quero ser como ela, quero chegar lá!
Achei fofo. Tem outros momentos bem legais na promessa da terceira temporada.


  • O Tempo Entre Costuras


Esse foi a última série que terminei, há 24h. Ainda estou impactada por ela, linda, forte, emocionante.  O Tempo entre Costuras é baseado em um best-seller espanhol de mesmo nome e conta a história de Sira Quiroga, uma espanhola que precisa refazer sua vida no tempo que sobra entre as costuras que lhe garantem seu sustento - em meio ao cenário amedrontador da Guerra Civil Espanhola e à beira da Segunda Guerra Mundial. Sira é personagem das que dá gosto de ver - ainda mais sabendo que foi inspirada em uma mulher real que viveu muitas das coisas relatadas no romance. Aliás, os 4 grandes protagonistas da trama são baseados em personagens históricos não tão conhecidos do grande público. A autora usou documentos, diários e memórias para chegar nesse incomparável resultado. Meu preferido dos últimos tempos, sem sombra de dúvida!


Fiz um vídeo falando um pouco sobre as séries, vem conferir: